ࡱ> wyv%` jbjbj .̟̟pb%<<<8tL4?)"""""""((((((($)h],("""""(""('''"V""('"('''" I*<x"'()0?)'-B&-''-'""'"""""((&"""?)""""xx O GOZO DO CORPO NA PROSTITUIO MASCULINA Com esse ttulo tratar-se- de uma tentativa de abordar uma questo clnica que diz respeito dimenso da sexualidade na prostituio masculina. Esta questo encontra um certo nmero de dificuldades para que possa ser pensada de modo preciso. Efetivamente, isso desperta muita rejeio e muita dificuldade na acolhida. Alis, esse modo muito particular de ter uma sexualidade na prostituio, seria uma forma de sexualidade? No inconsciente no existe nem masculino, nem feminino, pois essa assero correlativa das elaboraes freudianas na primira tpica em que a distino com o isso no tinha lugar. E Lacan ressalta que na primeira tpica existem "traos de uma diferenciao do Inconsciente enquanto funo da manuteno de um certo investimento". Com efeito, a diferena anatmica e a sexuao so registradas no Inconsciente por significantes de acordo coma funo flica, enquanto que as pulses parciais desconhecem a diferena sexual. De minha parte, eu definiria a sexualidade humana em funo das diferentes prticas que esse termo recobre num certo tipo de relao com o desejo de cada um. No por menos que a prostituio s pode se ouvir como parte dessse grande conjunto, dito das "prticas", com uma especificidade muito precisa, que a de ser uma prtica de excluso do parceiro como outro. Eis aqui uma primeira definio. Evidentemente, no podemos considerar nossa sexualidade a no ser como um sistema de trocas nas quais a linguagem tem um lugar preponderante, dentro de um certo tipo de uso daquilo que constitui o estabelecimento de nosso fantasma, ou seja, sexualidade humana enquanto ao mesmo tempo sujeito do desejo e sujeito mais ou menos submetido ao gozo. Vou me deter nesse tipo de uso que constitui o estabelecimento de nosso fantasma. Cada parceiro encontrar a a partir de ento seu lugar no desejo que lhe prprio. por isso que, como nos lembra Lacan, "quando digo que te desejo, porque te incluo em meu fantasma". Em todo caso, penso que esta ser uma definio bastante prtica e bastante geral para falar do que se entende por "sexualidade humana". Alis, no creio, e este sem dvida um dos limites interessantes, que os animais justamente possam ter recurso ao fantasma. Eles tm recurso a um certo nmero de relaes hormonais e biolgicas. Quanto ao fantasma, duvido muito que este esteja em questo no reino animal, porque para que possamos constituir algo da ordem do fantasma, preciso que possamos falar, que tenhamos um recurso de linguagem que nos permita justamente constituir nosso fantasma. Melhor ainda, a subjetivao do real do corpo no possvel sem sua imaginarizao pela incidncia do significante, e portanto pela incidncia do simblico, e a que se encontra toda a problemtica dos travestis ou dos transexuais quanto questo do simblico. Assim, o parceiro do ato "prostitucional" no se torna com isso um parceiro do fantasma. Esta j uma questo importante, a menos que se considere, com a palavra parceiro, o estado mais reduzido de ser apenas uma coisa, e at mesmo a se reduzir parte da coisa de que nos servimos para saciar esssa dimenso pulsional, que por sua vez no precisa recorrer ao fantasma para se satisfazer. De fato, esta toda a questo da excluso do hetero nessa prtica prostitucional muito particular, isto , que se afasta de um campo Outro em relao a uma determinao sexual sempre necessariamente flica. Nesse sentido, reportamo-nos definio lacaniana de hetero : "digamos heterosexual, por definio, o que gosta das mulheres, qualquer que seja seu prprio sexo" (Lacan : Ltourdit, p.23, 1972). Assim, a pessoa prostituida masculina e feminina tem em comum o fato de estar sempre no lugar de um receptculo, e o cliente tem a especificidade de uma masturbao arcaica, sempre insatisfatria, se considerarmos em todo caso os estudos recentemente produzidos sobre esse sujeito ou se acreditarmos simplesmente nos depoimentos clnicos que podemos ter a esse respeito. O consumo prostitucional para o homem sem dvida mais simples, pois h sempre na sexualidade masculina um gozo de seu rgo que tem como suporte um corpo outro em que ele poder encontrar os representantes do objeto a. No entanto, e essa minha tese, existe hoje uma diferena extremamente importante entre a prostituio feminina e a prostituio masculina, que no recobre as mesmas realidades quanto forma de escravido em que a prostituio implica. Existem igualmente diferenas fundamentais quanto construo da sexualidade nas pessoas prostituidas, em funo de seu sexo e de sua relao com sua estrutura psiquica. O sexo e a estrutura so coisas diferentes; entretanto, elas se dividem e se diferenciam em funo das pessoas. Com efeito, nas pessoas prostituidas femininas, encontramos um painel bastante representativo de um pertencimento ao campo das neuroses e das psicoses, com a quase total excluso do homosexualismo e das perverses, evidentemente no sentido estrutural do termo. Em contrapartida, na prostituio masculina, encontramos essencialmente o campo das prticas homosexuais, pertencendo nesse caso pouco ou nada ao das neuroses. Por outro lado, a porcentagem muito representativa do registro das perverses e do transexualismo, de que vou tentar dizer algumas palavras. Com relao ao transexualismo, podemos evidentemente nos perguntar, e isto ainda um debate atual, de que instncia se trata nesse modo to particular de considerar seu sexo biolgico como um erro de nascimento a ser corrigido? Tratar-se-ia de um problema gentico, como parecem querer evocar atualmente algumas pesquisas? Tratar-se-ia de uma certa forma de normopatia quanto ao modo de considerar seu sexo, ou tratar-se-ia de outra coisa. Falarei sobre isso mais adiante. A personalidade mais representada na prostituio masculina a do travesti, de que no se pode excluir totalmente o fato de se tratar do registro de uma forma particular de perverso. Mais uma vez, perverso no sentido da estrutura. Da mesma forma, a partir dessa primeira identificao, tentarei precisar na prostituio masculina o que podemos chamar de sexualidade e gozo do corpo, referindo-nos a dois elementos maiores de orientao. O primeiro elemento que qualquer que seja a estrutura em questo na prostituio masculina, a pessoa prostituida tem um lugar feminino. Este lugar constituiu, alis, o objeto de abusos sexuais infantis para o sujeito numa esmagadora maioria dos casos. O segundo que a sexualidade na perverso recorre necessariamente fixidez de um cenrio nico, em que o outro tem um lugar idntico e imutvel, sem a variabilidade que encontramos contrariamente no neurtico. O terceiro, no registro dos distrbios profundos da personalidade que encontramos em certas formas da psicose, a negao da realidade tal que o delrio assume um lugar preponderante e exclui qualquer capacidade de constituio do fantasma. Finalmente, quarto ponto, a sexualidade com parceiros mltiplos um dado comum s duas personalidades de que acabo de falar. Devemos considerar portanto a questo da parceria mltipla j como um modo de considerar a relao com o outro e com o gozo. Este gozo implica em que o outro, o parceiro portanto, esteja num mesmo lugar e responda mesma funo. Esta funo, vocs compreendem, leva-nos necessariamente idia de que o outro, nessa perspectiva, reduzido a ser apenas uma parte, isto , uma espcie de metonmia. Nesse caso, ele s objeto de gozo como uma parte de seu corpo, penis ou nus. Com efeito, a pessoa qual pertencem essas partes do corpo no entra necessariamente no desejo como tal, isto , como fazendo parte de um todo. Este um elemento muito importante. No entra no desejo no sentido de $ < a , frmula do fantasma na qual o < no desejo do objeto faz dificuldade nessas pessoas, pois trata-se para elas de : no desejo da metonmia do objeto, de sua parte portanto. Com relao ao travesti, a questo de seu gozo se coloca em termos muito precisos. Com efeito, ele no tem dvidas sobre o fato de que ele seja um homem, mas seu gozo vem de uma encenao em que ele se ornamenta com ouripis caricaturais da mulher, em excesso, de tal modo que ele possa despertar, no olhar que o outro lhe devolver, essa perturbao, essa oscilao de sua certeza habitual da diferena dos sexos. a que se situa e se realiza o gozo do travesti. No entanto, no se trata a deste desfile de mscaras que encontramos na mulher, e que constitui a condio da mulher enquanto semblante, nem a mascarada como modo particular atravs do qual a mulher responde presena desejante do Outro que o homem suporta. Como evoca Lacan: "O homem serve aqui de substituio para que a mulher se torne este Outro para ela mesma, como ela para ele". (Lacan, Escritos, p.732). Portanto, para o travesti, a mascarada e a mscara no devem ser tomados como uma iluso do corpo da mulher; eles devem ser tomados numa verso do real, isto , o travesti no faz como se ele fosse uma mulher, mas tenta elevar o excesso de feminilidade em sua caricatura em lugar de um real que serviria para demonstrar que toda mulher provida dele, j que ele pode fazer com que seu parceiro vacile em sua certeza da diferena dos sexos. Com efeito, tanto Freud quanto Lacan partem da exigncia de subjetivao do real da privao de penis na mulher para definir o processo de constituio do feminino. No se trata de uma privao nem estritamente, nem essencialmente anatmica, mas da subjetivao dessa privao : justamente o que se revela perfeitamente impossvel para o travesti. O travesti encontra portanto seu gozo nesse momento em que seu parceiro sente sempre o que podemos qualificar de angstia; pois a falta de subjetivao da privao desperta sempre angstia no neurtico. uma das razes pelas quais to difcil, at mesmo para os colegas trabalhadores sociais, cuidar de pessoas prostituidas travestis homens. Existe sempre essa dimenso em que a angstia tambm despertada naqueles que cuidam deles, porque sempre h esse momento em que o travesti vai procurar, e na maior parte das vezes encontrar, esse momento de vacilo no olhar do outro, vacilo necessariamente gerador de angstia. A questo a seguinte : esse corpo que eu percebo, o de uma mulher homem, o de um homem mulher? Duas categorias que vm portanto de um no decidvel que no faz parte da diferena dos sexos. De todo modo, nos dois casos, tratar-se- de um ser provido de um falo; nisso reside a operao travesti (em todos os sentidos do termo). Assim , o Outro, seja ele cliente ou no, , nessa perspectiva, sempre um outro metonmico, isto , reduzido a ser apenas uma parte de corpo no sentido em que ele se reduz e vacila nesse momento de angstia do encontro com a incerteza da diferena dos sexos. O que o travesti vai tocar no outro com essa angstia esse vacilo do parceiro em relao questo de sua prpria certeza sobre a diferena dos sexos. Algo se torna equvoco na certeza atributiva do sexo al onde se constitui no neurtico o que marca um homem para uma mulher e o que marca uma mulher para um homem; para o travesti, o que marca que se torna indecidvel e equvoco pela surpresa no olhar do outro no qual ele encontra seu gozo. Portanto, h negao de realidade. O gozo do travesti se realiza quando ele percebe no olhar de seu parceiro essa dvida que o leva invariavelmente a concluir que, porque o sinal de mulher que ele emite sendo um homem, pode fazer o outro vacilar em sua identificao do valor anatmico do sinal, ento a anatomia no mais seu destino. Do ponto de vista do fantasma, podemos dizer que ele est profundamente questionado, pois o fantasma supe que tenhamos estruturado nosso aparelho psquico de tal modo que possamos fazer funcionar um certo nmero de cenrios, que podem ser diversificados, nos quais as pessoas que a introduzimos possam ocupar lugares diferentes. Ora, a questo do travesti, no fundo, a da perverso, j que no h diferentes lugares do outro no fantasma do perverso, e consequentemente, para o travesti. Podemos dizer que no h fantasma nesse momento, pois este fixo e os parceiros so sempre esperados no mesmo lugar; trata-se de um cenrio nico que se desenvolve na imutabilidade necessria para que tudo isso se reproduza infinitamente, sem nenhum modo de transformao. por isso que a questo do fantasma totalmente posta em dvida. O outro, o parceiro, tem previamente um lugar fixado, que ele deve evidentemente encarnar para que se realize o gozo do travesti. Para o transexual, a questo evidentemente diferente. Com efeito, ele nunca teve a inteno de enganar quem quer que seja sobre a mercadoria. Ele sabe desde sempre que, em seu nascimento, houve um erro gentico, e que ele nasceu com uma aparncia correspondente ao lado masculino da humanidade, enquanto que ele tem a convico ntima de ser uma mulher. Assim, ele no cessar de querer reparar esse erro por todos os meios possveis e imaginveis. Seu gozo decorrer ento dessa mesma lgica. Ele consistir no encontro de parceiros que lhe tragam a prova deste erro pelo fato de desej-lo sexualmente por aquilo que ele mesmo sabe dele, ou seja, que ele realmente uma mulher. Para o transexual a questo da marca se coloca em termos do que o que marca o homem para a mulher um erro que preciso reparar anatomicamente para que seu corpo faa marca. Portanto, no estamos mais num "marcar" que supe, como para o neurtico, uma certa forma de iluso, mas de mostrar a prova anatmica que far a marca de reparao para ele. Portanto, ele no tenta manter algo de ambguo, ao contrrio, ele tenta encontrar no outro a prova, pelo desejo, de que ele realmente uma mulher, o que evidentemente vai confirmar a certeza que ele tem desde sempre, a de que este corpo um erro mesmo, pois ele pode ser desejado como uma mulher. Compreende-se bem que o intuito no , como para o travesti, de despertar um equvoco no olhar do outro, muito pelo contrrio, o objetivo do transexual de que no haja mais nem iluso, nem equvoco. Vocs vm que a a questo de seu gozo se coloca em termos totalmente diferentes. Isto nada tem a ver com o gozo do neurtico em geral, e menos ainda com o do perverso. A questo do fantasma se coloca aqui tambm. Tratar-se ia de um fantasma qualquer? Em minha opinio, trata-se de algo que mais a consequncia de uma lgica delirante que nada tem a ver com o fantasma. Bem sei que no estamos necessariamente todos de acordo com isso. De minha parte, anuncio as tonalidades: penso que o transexualismo uma forma de psicose. Trata-se de um delrio particular de certeza que, como toda lgica de certeza delirante, aparenta-se com a parania. E aqui encontramos todos os elementos para poder evocar essa dimenso que tem seu interesse, penso eu, no modo de poder trabalhar tambm com essas pessoas. totalmente diferente ter em mente essa idia do que no t-la, principalmente porque a questo do delrio grave e difcil. Podemos observar que um certo nmero de operaes cirrgicas conduziram a suicdios. Evidentemente, a questo do delrio ocupa um lugar central dentro das razes pelas quais o suicdio intervm nesse momento. Aqui tambm no podemos falar em fantasma, j que se trata mais de um fenmeno delirante, cuja lgica levada a seu extremo. Evidentemente, o parceiro importante ele s tem existncia, ele s um outro na medida em que ele pode alimentar, manter e confortar essa atitude lgica delirante. Ele serve exclusivamente a isso. No entanto, com isso seria ele um outro? A questo permanece aberta, e depende da definio que temos do outro, ou ento do que entendemos por parceiro. Tudo isso me permite introduzir e diferenciar agora, e para terminar, a relao do desejo com a lei. muito importante, pois a sexualidade humana atravessada pela dimenso da lei e por aquela da relao do desejo com a lei, tanto num sentido quanto no outro. Existem duas espcies de lei do desejo s quais nos confrontamos. Uma, a pequena Lei, do registro da lei do desejo no quadro bastante amplo que encontramos no neurtico, que far com que Lacan diga que a forca no a lei porque a forca apenas o castigo da lei superegica. Esta lei portanto a que rege o desejo do sujeito pelo sentimento de culpa, cuja formulao poderia ser a seguinte: "faa teu dever seno sers punido". Esta lei do neurtico uma lei do desejo em que a dimenso da culpa um elemento essencial. Em outras palavras, nesse quadro no h lei do desejo sem a ameaa de um castigo. Em todo caso, para o neurtico, no h relao com o desejo e com a lei sem que haja uma referncia culpa e ao castigo. Esta lei se encontra do lado do desejo recalcado e suas funes so a culpa e o recalque. Na prostituio masculina a lei est necesariamente do lado das perverses. uma outra lei. Pode-se cham-la de grande lei. Ela se constitui fora do supereu e ao lado que que habitualmente o estabelecimento do desejo, isto , do que diz respeito aos registros da culpa, do castigo e do recalque. Consequentemente, no absolutamente nesse registro que se constitui a lei do desejo do lado da perverso. verdade que somente em Kant com Sade podemos ter uma pequena idia do que a grande Lei representa como diferena em relao a esta lei mais geral do desejo. Poderiamos fazer uma primeira abordagem, com Kant justamente, desta vez com a frmula "faa teu dever", e no mais "faa teu dever seno sers punido", como era o caso da pequena lei do lado do neurtico. Na grande Lei, a parte do lao do dever com o castigo desaparece; ou melhor, ela no mais constitutiva da relao do desejo com a lei dentro dessa abordagem da questo da sexualidade do lado da perverso. Portanto, no mais "faa teu dever seno sers punido". Pela grande Lei, a lei do desejo confrontada somente injuno: "faa teu dever". Isto permite compreender igualmente porque h esse retorno sem cessar s mesmas cenas, aos mesmos cenrios, como uma espcie de injuno a (re)encontrar sempre, de modo permanente, o mesmo lugar que no podemos pensar como neurticos, nesses domnios bastante difceis de realizao de uma sexualidade, frequentemente funesta. H portanto uma injuno do lado dessas pessoas. A relao do desejo com a lei se realiza sob forma de uma injuno "faa teu dever", que podemos aproximar do que Freud chamou de "Verleugung", que poderamos traduzir como proposto por Lacan como uma "recusa duvidosa". Vocs compreenderam, trata-se da recusa duvidosa da diferena dos sexos, recusa duvidosa que funda uma outra forma de relao com a lei. Com efeito, no que diz respeito diferena dos sexos, reconhecer que esta diferena no faz mais lei. Assim, esta forma de sexualidade no se inscreve mais do mesmo lado da lei. atravs dessa recusa duvidosa que encontramos todos os cenrios em que o objetivo colocar em cena a negao da diferena dos sexos. nesse ltimo caso que o sujeito, o outro portanto, reduz-se a no ser mais do que um agente executor dessa lei, carrasco insensvel e aptico, que no suporta mais nenhuma forma de diviso. No mais um sujeito dividido, ele simplemente um agente executor da injuno dessa froma de lei do desejo. Este agente recebe a injuno de fazer seu dever. Sua regra a apatia, isto , uma total indiferena satisfao e ao prazer. Alis, esta uma das coisas que percebemos nessa forma de prostituio, em todo caso com essas pessoas, isto , uma espcie de distncia em relao justamente questo do prazer, distncia tal que a dimenso do gozo no recobre mais a do prazer. So pessoas que tambm esto numa apatia na abordagem da prpria sexualidade, apatia que nada tem a ver, eu diria, com a que encontramos nas pessoas prostituidas mulheres, estando estas numa apatia por razes totalmente diferente, evidentemente. Nesse caso, trata-se de obedecer lei do desejo alm do principio do prazer e de ter a vontade de realizar esse gozo, ao qual no se tem acesso a no ser tornando-se um puro instrumento da lei, isto , fora de toda culpa. A culpa no faz mais parte, at mesmo de modo absoluto, desse registro. Evidentemente so coisas em que pensar, a abordar, quando no temos essa constituio fsica e essa relao com o desejo. verdade que complicado. Isto provoca muita rejeio, principalmente horror, porque isso toca em pontos dificilmente pensveis. Vou terminar rapidamente sobre a questo da lei do desejo no transexual. Aqui no nos encontramos mais no mesmo registro. A lei do desejo nesse momento est ligada ao que para ele foi forcluido, ao que num dado momento faz furo em sua prpria relao com o simblico e em sua prrpia relao com a lei, isto , um furo na prpria questo da lei. Podemos dizer que, de certo modo, seu delrio uma tentativa de reconstruir ou de construir algo al onde esse nada da lei fez furo. Pode-se dizer que at mesmo nesse modo de construir um delrio a partir de um erro sobre a percepo de sua anatomia um modo de poder colocar algo no lugar desse nada, ao qual ele est confrontado originalmente como forcluso, como vazio de lei precisamente, como vazio de relao com a lei. Assim, o transexual, em seu modo de ter uma certeza delirante quanto ao erro sobre seu ssexo tem como consequncia o fato de, no fundo, no estar submetido a nenhuma lei, a no ser aquela qual sua construo de certeza delirante lhe dita, a ainda como injuno. No a mesma injuno que na perverso, mas uma injuno para reparar o erro sexuado de seu nascimento. Eis, grosso modo, como ele reconstri. assim que isso ocupa o lugar de lei do desejo. Reparar esse erro efetivamente um modo de se compromoter numa certa forma de lei do desejo. Seria um desejo? Seria uma lei? Aqui, evidentemente, ficam abertas todas essas questes, que so extremamente difceis. No acredito que possamos pensar a questo da sexualidade na prostituio masculina se no tivermos esses elementos mais ou menos disposio. Realmente, isto nada tem a ver com a prostituio feminina, em todo caso, em seu modo de relao com a sexualidade. Penso tambm que se no tivermos esses elementos, principalmente quanto a essa relao particular com uma forma de gozo, tambm no poderemos compreender, ou pelo menos abordar, a dificuldade da renncia desses homens prostituio. A questo da renncia prostituio no se coloca do mesmo modo do que para as mulheres. A renncia prostituio para a mulher muito difcil, mas tambm muito simples, porque ela no est comprometida num gozo sexual. Vou dizer de modo radical: para os homens, trata-se de saber de que modo renunciar prostituio sem renunciar sua sexualidade. So duas coisas totalmente distintas e diferentes. Justamente, a dificuldade do lado da prostituio masculina que a renncia prostituio implica tambm, o que deve ser trabalhado com eles, algo da ordem como pisar em ovos de um certo tipo de renncia a um certo tipo de gozo. Tambm no quero dizer que porque se transexual ou travesti que se prostituido. Entretando, algo se passa da dimenso do gozo especfico e particular de uns e outros na prostituio como dispositivo. Para terminar, isso que faz a dificuldade. Penso que nas equipes que trabalham com essas pessoas, sabe-se que se trata dessa dificuldade, mesmo que no se coloque palavras muito precisas para isso. H a um comprometimento com um certo tipo de gozo particular nesse dispositivo, em que a prostituio leva realizao de algo que da dimenso perversa da fixidez do fantasma. Para os transexuais, como eu disse, muito diferente. Entretanto, evidentemente, quanto mais provas se tem, e vocs compreenderam isso, mais fica comprovado que se realmente uma mulher. Vocs sabem bem que a multi parceria na prostituio conduz a esse nmero que ir dar uma certa consistncia prova do lado transexual. Portanto, no toa que encontramos na prostituio um nmero muito grande de travestis e transexuais. Poderamos dizer tambm que encontramos grandes diferenas entre a prostituio feminina e masculina porque, na prostituio masculina, quase no h ou h muito poucas redes mafiosas. Com efeito, a rede mais uma rede comunitria. Alis, muito interessante, pois trata-se de se encontrar entre pares. A questo do mesmo tambm tem aqui todo interesse e toda sua funo na perverso e no reconhecimento que podemos fazer da "mesmitude". A dificuldade poder encontrar um outro que seja um outro no sentido do neurtico. No estamos nesse registro. O outro sempre, ou frequentemente, algum de reduzido sua metonmia, a uma parte de si mesmo, a uma parte de seu corpo, a seu sexo, como acabo de dizer. At mesmo no modo de construir a prostituio no estamos nos mesmos dispositivos. Gostaria de contribuir com esse dia, tentando trazer essa dimenso que espero clnica e no muito complicada para pensar esse aspecto muito particular da prostituio e da sexualidade masculina na prostituio. E agradeo sua ateno.     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