ࡱ> KNJ[(bjbj.@ΐΐ < < .$8(Dlh0ccc$: ccccc "ssscscsss``Oc&cs80hs | s s`ccsccccc  sccchcccc ccccccccc<  P:O corpo para a psicanlise: notas sobre inibio e psicossomtica. Miriam Nogueira Lima 1 - O corpo para a psicanlise o corpo afetado pela linguagem, corpo das trocas, das negociaes, corpo que movimenta vrias economias, em torno do qual se contam as histrias. Desde Freud, trata-se do corpo ergeno, dos buracos, dos intercmbios com o mundo, do que entra e do que sai. Corpo sede das pulses oral, anal, escpica, invocante e dos objetos que lhes correspondem o seio, as fezes, o olhar, a voz , seus objetos a, seus gozos e seus mais de gozar. Lacan arrisca: [...] o que h sob o hbito, e que chamamos de corpo, talvez seja apenas esse resto que chamo de objeto a (1975-1982:14). Encontra-se, mais adiante, que substncia corporal aquilo de que se goza (id: 35) . Laberge  destaca no Seminrio Ou pior, no Seminrio O Sinthoma e na Conferncia Joyce o sintoma, o deboche que Lacan faz quanto a algum dizer eu tenho um corpo. Isto porque esse corpo nos escapa, foge, na verdade mero corpo estranho. 2 Dois exemplos da clnica psicanaltica podem trazer algum interesse. Referem-se a fenmenos encontrveis com certa freqncia nas anlises: a inibio e as manifestaes psicossomticas. Pode-se considerar a inibio um desafio clnico porque preciso estabelecer as distines e semelhanas com o sintoma e com a angstia. Um desses exemplos me levou a supor uma inibio do trabalho ali onde anteriormente se viu um sintoma fbico e como tal era tratado. O sujeito falava sobre no ir trabalhar: muito distante esse lugar, no d para ir de carro e de avio, nem morto [...] Sabe o que ? (a) hora da degolagem . A analista, boquiaberta. Eureca! Cabeas cortadas no trabalho. Freud em Inibio, sintoma e angstia (1925-26), afirmou que a inibio a expresso de uma restrio funcional do eu que pode obedecer a diversas causas. So descritas diversas funes que podem ser afetadas pela inibio: sexual, alimentar, locomoo, trabalho social e outras possveis. Na primeira categoria, quatro formas: impotncia psquica, ausncia de ereo, ejaculao precoce, ausncia de ejaculao. No campo da histeria, na locomoo, a inibio da marcha (paralisias). A inibio do trabalho adstrita tanto histeria quanto neurose obsessiva. As funes do eu sofrem uma intensa erotizao dos rgos relacionados a elas. O eu renuncia a essas funes para no ter de empreender um novo recalcamento, para evitar o conflito com o isso segundo Freud (1925-26/ 1973: 2835). J em 1910 Conceito psicanaltico das perturbaes psicognicas da viso ele se referiu dupla funo de um rgo: interesses do eu e interesses sexuais. A problemtica da diviso do sujeito aparece a, quando Freud trata da inibio: uma forma de evitar situaes geradoras de ansiedade, uma estratgia do sujeito de no se confrontar com a angstia, como sendo um recurso ou o propsito de uma inibio. No Seminrio A Angstia (1962-63), Lacan recorre ao exemplo freudiano da locomoo para falar de movimento e parada de movimento, ou movimento impedido. Assim que a inibio est na dimenso do movimento, no sentido mais amplo desse termo. [...] Existe movimento, pelo menos metaforicamente, em toda funo, mesmo que no seja locomotora. [...] Na inibio, da deteno do movimento que se trata. [...] (1962-63: 18). Aquele analisante estava impedido de trabalhar, talvez para no se arriscar a ter sua cabea cortada na decolagem ou na degolagem, na poltica empresarial, ou outras possveis causas. Ainda ficou bastante tempo em anlise para contar mais a respeito de suas estratgias para evitar a castrao. Uma manifestao na pele vitiligo (?) de uma jovem cuja famlia no admitia manchas (na moral familiar) levou a analista a pensar no dizer daquele suposto FPS. O que se escrevia com aquelas manchas em seu corpo? O que dizia ela quando se referia s manchas? A quais delas se referia, as corporais ou a morais? E por que, medida que sua anlise prosseguia, ela piorava em sua vida, sobretudo amorosa, mas as manchas se tornavam menos marcadas. fato que tambm seguia um tratamento dermatolgico, que lhe indicara a fazer anlise, e usava um remdio cubano muito em voga poca. Na Conferencia de Genebra sobre o Sintoma (1975), Lacan diz que se trata de um domnio mais que inexplorado, porm afirma que de todo modo da ordem do escrito, s que no sabemos l-lo. Tudo acontece como se algo estivesse escrito no corpo, algo que nos dado como um enigma [...] Um enfermo psicossomtico bem complicado, assemelha-se mais a um hierglifo [...] (1975/1977: 10-11). E se interroga sobre que tipo de gozo se encontra no psicossomtico. Mas, sem dvida algo de uma fixao, um congelamento... Sim, pois: Um corpo algo feito para gozar, gozar de si mesmo. Anos antes, em O lugar da psicanlise na medicina (1966/ 2001: 11), afirmou: A dimenso do gozo algo completamente excludo do que chamei relao epistemo-somtica. Tal expresso fora cunhada por ele para reanimar a Psicossomtica, como disse: Permitam-me assinalar como falha epistemo-somtica o efeito que ter o progresso da cincia na relao da medicina com o corpo (id.). A explicao dada que a cincia capaz de saber o que pode, mas no capaz de saber o que somente surge do avano, e este tem sido to acelerado que ultrapassa suas prprias previses. Nesse mesmo O lugar da psicanlise na medicina, sublinha a defasagem existente entre demanda e desejo, no que concerne ao pedido de um doente endereado ao mdico, pedido esse que muitas vezes no quer propriamente a cura da doena, mas quer que o mdico autentique a sua condio de doente. O psicossomtico algo que est em seus fundamentos profundamente arraigado no imaginrio, se l na Conferncia de Genebra sobre o sintoma (1975/2007: 11). Anos antes, no Seminrio Livro 2, afirmara: as reaes psicossomticas esto no nvel do real (1954-55/1985: 127). Na mesma sesso em que critica e corrige o termo relao ao objeto, empregado por Franois Perrier, porque no disso que se trata no psicossomtico diferente do neurtico e situado bem mais no auto-ertico que no narcsico: faltou-lhe a nova ao psquica, como dizia Freud , Lacan afirma que para alm do imaginrio e do simblico h o real e que as reaes psicossomticas esto no nvel do real. Mesmo assim ele conta com a participao de Perrier e sua contribuio, com a qual, alis, encerro este texto, por enquanto, pois alentador quando me ocorre a lembrana da analisante cujas manchas esmaeciam. [...] o doente psicossomtico tem uma relao direta com o real, com o mundo e no com o objeto, [...] a relao teraputica que instaurava com um mdico reintroduzia nele o registro do narcisismo. na medida em que esse tampo lhe permitia voltar a uma dimenso mais humana que ele sarava de seu ciclo psicossomtico (1954-55/1985: 127). Referncias bibliogrficas FREUD, S. (1925-26). Inhibicion, sintoma y angustia. Obras completas, Madrid: Biblioteca Nueva, 1973. LACAN, J. (1954-55), O eu na teoria de Freud e na tcnica da psicanlise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985. . (1962-63). Seminrio A Angstia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. . (1975). Conferencia de Genebra sobre o sintoma, texto para estudo veiculado na IPB-lista, traduo de Rita Smolianinoff, Recife, 23.12.2007. . (1966). O lugar da psicanlise na medicina. In Opo Lacaniana, Revista Brasileira Internacional de Psicanlise, n 32, So Paulo: Edies EOLIA, dezembro de 2001. POMMIER, G. (1990). O desenlace de uma anlise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar.  Simpsio/Colquio Corpo e Sintoma, org.: Interseco Psicanaltica do Brasil (IPB), Dimensions de la Psychanalyse, e Analyse Freudienne, Julho de 2008, Muro Alto, PE.  Psicanalista, membro da IPB no Rio de Janeiro.  Na sensao de dor corporal, nos lembrou uma colega nos debates na lista Corpo e sintoma, da IPB, o sujeito que recebe o consolo, no a parte dolorida.  Jacques Laberge, comentrio na lista de debates sobre Corpo e sintoma da IPB.  Ela impede a realizao de uma funo [...] enquanto que o sintoma acarreta a modificao dessa funo, como acrescentou G. Pommier (1990: 178).  O analisante parecia no se dar conta da diferena entre as palavras decolagem e degolagem  FPS - Fenmeno psicossomtico, como nomeia Lacan.     BCXY[_yz %   4 C J O g x y z ʤooo[Do,h0J56B*CJOJQJ]aJph&h0J5B*CJOJQJaJphh=B*CJOJQJaJphhB*CJOJQJaJph(h6CJOJPJQJ]aJnHtH"hCJOJPJQJaJnHtHhPJnH tH h*PJnH tH hCJOJQJaJ#jh0JCJOJQJUaJh*CJOJQJaJh{CJOJQJaJDZ[ 3  efS-T!*#+#F## $dh`a$$d`a$gd767$8$` $dha$ $dha$gd          " # $ 0 A F [ ` { | ǻǻNj{{dRRR@"hB*CJOJQJ]aJph"h6B*CJOJQJaJph,jh0JB*CJOJQJUaJphh*B*CJOJQJaJph"hCJOJPJQJaJnHtH#jh0JCJOJQJUaJh{CJOJQJaJh CJOJQJaJhCJOJQJaJh=CJOJQJaJhB*CJOJQJaJphh{B*CJOJQJaJph  7 D E &'./ab~ӻөӜӍӀӀӀsfR&jh0JCJOJQJU]aJh7CJOJQJ]aJh{CJOJQJ]aJhCJOJQJ]aJh6CJOJQJ]aJh5CJOJQJaJ#jh760JCJOJQJUaJh{CJOJQJaJh*CJOJQJaJhCJOJQJaJh{B*CJOJQJaJphhB*CJOJQJaJph=?cdef5L[gix:>?;ܦܦܦܦܦܦܙ܍܀tܦtb#jh0JCJOJQJUaJhyCJOJQJaJh5CJOJQJaJh7CJOJQJaJh6CJOJQJaJhXCJOJQJaJh76h76CJOJQJaJhCJOJQJaJh6CJOJQJ]aJhCJOJQJaJh*CJOJQJaJh76CJOJQJaJ$;?7Vek*-Buv!"23;<im},;]¶۝¶¶􅑅h5{CJOJQJaJh CJOJQJaJh7CJOJQJ]aJh{CJOJQJaJh7CJOJQJaJhyCJOJQJaJh6CJOJQJaJhCJOJQJ]aJhCJOJQJaJhU6CJOJQJaJ4UVij\ _ q r !O!k!r!t!!!!!!##'#*#F#[#\#z#{#ٌ|xt|dTdTh CJOJQJaJmH sH hCJOJQJaJmH sH hTh5{hhU6CJOJQJaJhTCJOJQJaJhMCJOJQJaJhk>CJOJQJaJhCJOJQJ]aJhk>CJOJQJ]aJhU6hU6CJOJQJaJh5{CJOJQJaJh5{h5{CJOJQJaJhCJOJQJaJ {#}######3$d$e${$|$$$%%3%4%9%I%J%z%%%%%%%% &!&#&)&T&&&&&&&&ȻկկկՖxxxxpxfjh0JUh7CJaJh76CJaJhCJaJjh0JCJUaJhCJOJQJaJh CJOJQJ]aJh CJOJQJaJhCJOJQJ]aJh6CJOJQJaJhCJOJQJaJh6CJOJQJ]aJhCJOJQJaJmH sH (#"$m$%%%%&&v''Y(Z((((((((((((d$d`a$gd76 $da$$a$ $dha$&v'w''''''Y(Z([((((((((((((((潵hCJOJQJaJjhKUhKh76h76CJOJQJaJh76jh760JUh76CJaJhCJaJjh0JCJUaJh((( $dha$,1h. A!"#$% j 666666666vvvvvvvvv666666>6666666666666666666666666666666666666666666666666hH6666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666662 0@P`p2( 0@P`p 0@P`p 0@P`p 0@P`p 0@P`p 0@P`p8XV~ OJPJQJ_HmHnHsHtHJ`J Normal dCJ_HaJmHsHtH >A`> Fonte parg. padroXiX 0 Tabela normal :V 44 la ,k , 0 Sem lista \@\ Texto de nota de rodap dCJaJXX Texto de nota de rodap CharCJaJH&@H Ref. de nota de rodapH*`^"` Normal (Web)ddd[$\$CJOJPJQJaJtH(W@1( Forte5\jP@Bj Corpo de texto 2$dh7$8$a$CJOJPJQJaJtHVQV Corpo de texto 2 CharCJOJPJQJaJRb Recuo de corpo de texto 2 $dh7$8$`a$CJOJPJQJaJtHhqh Recuo de corpo de texto 2 CharCJOJPJQJaJS Recuo de corpo de texto 3 $d7$8$`a$CJOJPJQJaJtHhh Recuo de corpo de texto 3 CharCJOJPJQJaJrC@r Recuo de corpo de texto$dh^a$CJOJQJaJPK![Content_Types].xmlj0Eжr(΢Iw},-j4 wP-t#bΙ{UTU^hd}㨫)*1P' ^W0)T9<l#$yi};~@(Hu* Dנz/0ǰ $ X3aZ,D0j~3߶b~i>3\`?/[G\!-Rk.sԻ..a濭?PK!֧6 _rels/.relsj0 }Q%v/C/}(h"O = C?hv=Ʌ%[xp{۵_Pѣ<1H0ORBdJE4b$q_6LR7`0̞O,En7Lib/SeеPK!kytheme/theme/themeManager.xml M @}w7c(EbˮCAǠҟ7՛K Y, e.|,H,lxɴIsQ}#Ր ֵ+!,^$j=GW)E+& 8PK!.atheme/theme/theme1.xmlYMoE#F{om'vGuرhF[xw;jf7q7J\ʉ("/z'4IA!>Ǽ3|^>5.=D4 ;ޭªIOHǛ]YxME$&;^TVIS 1V(Z Ym^_Ř&Jp lG@nN&'zξ@F^j$K_PA!&gǬへ=!n>^mr eDLC[OF{KFDžƠپY7q~o >ku)lVݜg d.[/_^йv[LԀ~Xrd|8xR{ (b4[@2l z "&'?>xpxGȡIXzg=2>ϫPCsu=o<.G4& h`9Q"LI(q }93̲8ztzH0SE+$_b9rQkZVͣiV 2n*=8OSyZ:"⨹ppH~_/PŴ%#:viNEcˬfۨY՛dEBU`V0ǍWTḊǬXEUJg/RAC8D*-Um6]Ptuyz*&Q܃h*6w+D?CprloSnpJoBӁc3 chϿ~TYok#ހ=pGn=wOikZoiBs͜zLPƆjui&e E0EMl8;|͚ 64HpU0)L O3 e:(xfä)Hy`r~B(ؘ-'4g\вfpZa˗2`khN-aT3ΑV \4  o`v/] f$~p p@ic0As\ @THNZIZ[}i RY\qy$JyϣH9\,AZjyiǛ)D]n|%lڟX̦l熹EЀ > 6ljWY DK/eby_膖L&W`VcJT14fS!:UJ0A?y6Xg1K#[]y%[BTRlwvSLɟ)4.Xt|zx\CJ#Lw@,e_}֜aN}jHP؏T$فdfl,YdTI]Zd+zoPnI hYC=!kk|l1Qn6MBŊ]|-_Ǭf^ Mθڎ`R+Wh1,Q >H *:[䠙A@V_ .ap64+lt^7st G5;Mb8s9x<ڮjI~11qM2%M2K94uo%PK! ѐ'theme/theme/_rels/themeManager.xml.relsM 0wooӺ&݈Э5 6?$Q ,.aic21h:qm@RN;d`o7gK(M&$R(.1r'JЊT8V"AȻHu}|$b{P8g/]QAsم(#L[PK-![Content_Types].xmlPK-!֧6 +_rels/.relsPK-!kytheme/theme/themeManager.xmlPK-!.atheme/theme/theme1.xmlPK-! ѐ' theme/theme/_rels/themeManager.xml.relsPK] BX#D z^ @  ;{#&(#((8@0(  B S  ?t}\fhoT^bdequ|}D K ~ bd e/][} S{ U6Tc^5{M7*k>X=76Ky@ H@UnknownG*Ax Times New Roman5Symbol3. *Cx Arial7.{ @CalibriA BCambria Math"1 ft$Ƥ&+M5$;0 2qHX $P=2!xx"O que o corpo para a psicanliseMiriam AparecidaMiriam AparecidaOh+'0 $0 P \ h t$O que o corpo para a psicanliseMiriam AparecidaNormalMiriam Aparecida7Microsoft Office Word@@@K@:{$@ c&M՜.+,0  hp  Hewlett-Packard Company5 #O que o corpo para a psicanlise Ttulo  "#$%&'(*+,-./0123456789;<=>?@ACDEFGHILMPRoot Entry F@)`c&OData !1Table) WordDocument .@SummaryInformation(:DocumentSummaryInformation8BMsoDataStorepEc&``Oc&DIX0RE0AJS5H==2pEc&``Oc&Item  PropertiesUCompObj }   F+Documento do Microsoft Office Word 97-2003 MSWordDocWord.Document.89q