ࡱ> 9 fbjbj .blhhhhhhh|nnnn|2444444$ pXhXhhmDhh22 hh2 Өu>|n "20*C C2||hhhhNO RETORNO, ALM DE FREUD Ablio Ribeiro Alves Escola Lacaniana de Psicanlise do Rio de Janeiro No de se estranhar o carter subjetivo desta contribuio que proponho trazer histria do movimento psicanaltico, nem deve causar surpresa o papel que nela desempenho, pois a psicanlise criao minha, durante dez anos fui a nica pessoa que se interessou por ela, e todo o desagrado que o novo fenmeno despertou em meus contemporneos desabou sobre a minha cabea em forma de crticas. Embora de muito tempo para c eu tenha deixado de ser o nico psicanalista existente, acho justo continuar afirmando que ainda hoje ningum pode saber melhor do que eu o que a psicanlise, em que ela difere de outras formas de investigao da vida mental, o que deve precisamente ser denominado de psicanlise e o que seria melhor chamar de outro nome qualquer (Freud A Histria do Movimento Psicanaltico [1914]). fundamental citar Freud nesta passagem, justamente a, na posio de criador da psicanlise, lugar que s caberia a ele ocupar. contra aquilo que decreta como usurpao de sua descoberta que toma a palavra. Digo desta maneira, pois seu texto tem o tom de um discurso solene. Ele, assim, faz preceder o lema no braso da cidade de Paris, representado por um navio: Fluctuat nec mergitur as ondas o abalam mas no o afundam. Freud faz aluso ao seu estado de esprito, aps romper, por divergncias tericas, com Adler e Jung. O movimento psicanaltico estar marcado por crises e lutas de poder. Apesar de seus esforos para evitar desvios e extravios, ele acabou por se envolver em algumas situaes delicadas de transferncias atravessadas. A uma certa altura, j no se tratava de partilhar o pai, mas de com-lo por inteiro. Indigesto da qual se livrou um certo Jacques Lacan, ao recusar engolir o mutismo forado que empurravam-lhe goela abaixo. Desocupando-se da tarefa de encarnar o pai, ele prope o retorno ao texto freudiano. Lacan tem o mrito de manter a descoberta freudiana no nvel da linguagem, evitando afund-la nas profundezas e mistrios da mente e da alma. Nem por isso sua tarefa tornou-se mais fcil. O retorno Freud no seno a possibilidade de avanar, de ir mais alm. Passando por aquilo que definiu como excomunho por parte da IPA, ele funda com aqueles que o seguem, em seu ensino, a EFP. Ali, no tardar a testemunhar, em torno de sua figura e presena, os efeitos de grupo, momentos de disputas ciumentas pelo saber do mestre e dios fraternos. Prximo de sua morte, sem esperanas, mas perseverante, ele prope a dissoluo de sua Escola. Sim, Lacan no esperava nada das pessoas, apenas alguma coisa do funcionamento. Sobre isto, sustenta Moustapha Safouan 1 que a EFP era dotada de uma estrutura que permitiu extrair as conseqncias do fracasso, em vez de afundar nele. Ainda sobre a dissoluo posso trazer-lhes o relato, um tanto quanto distinto, de Brigitte Lemrer 2: A dissoluo por Lacan da cole Freudienne de Paris e o naufrgio da Causa Freudiana que devia se constituir a partir do turbilho de cartis trouxeram a formao de mltiplos coletivos, uns mais ou menos informais, outros estruturados em instituies. A maioria desses coletivos foi atravessada por crises, provocando a sada de uma parte de seus membros ou dissoluo do grupo. Se, num primeiro tempo, cada uma dessas instituies pde se crer nica e eterna, se cada uma pde se crer o bero da futura nova cole Freudienne de Paris, pouco a pouco elas foram, em sua maioria, constatando em maior ou menor grau sua multiplicidade e precariedade. Mais de quinze anos depois da dissoluo, a comunidade analtica originada do ensinamento da Lacan se apresenta, na sua organizao coletiva, como essencialmente mltipla, movedia, incerta e precria. A citada autora, entretanto, no v motivos para que se reprove a multiplicidade de instituies mais ou menos precrias, pois estas se oferecem como alternativas ao modelo da Igreja e do Exrcito. O que ela nos apresenta como condenvel o que denomina de gozo do grupo presente na violncia das crises associativas. Haveria, ento, dispositivo eficaz e capaz de conter a rivalidade estrutural, o cime e a inveja disseminados nos grupos? Como est a situao dos cartis em nossas instituies? Citando, ainda, Lemrer, as instituies analticas estariam favorecendo as manifestaes pblicas (seminrios, jornadas e etc.) em detrimento do trabalho mais discreto e fundamental dos cartis. Esta hoje uma questo e preocupao de nossa Escola, isto , Escola Lacaniana de Psicanlise R.J. H, ainda, um problema que deve, aqui, ser abordado, Philippe Julien 3 afirma que muitos analistas (...) no crem mais ser til garantir sua prtica graas ao lao associativo. Segundo sua fonte de dados, estima-se que mais da metade dos analistas em atividade na Frana, exercem a psicanlise de maneira solitria. Acrescenta que a frmula, O analista s se autoriza por si mesmo, seria tomada como liberao do lao associativo, seja por tolice ou canalhice. Esta breve introduo levanta algumas questes iniciais. Estamos aqui, reunidos num evento internacional. Isto que se anuncia como internacional, tanto pode insinuar laos fraternos, como provocar tenses de disputas territoriais. Neste sentido, caberia fazer-lhes chegar um dos objetivos da Convergncia Movimento Lacaniano para a Psicanlise Freudiana, que consta de sua Ata de Fundao (em 03 de outubro de 1998): Enfrentar; deste modo, os efeitos nocivos da fragmentao no movimento Lacaniano internacional que corroem de modo diverso daquele que instaura o lao piramidal e autoritrio que caracteriza uma supra associao. Deste modo, este Movimento, no lugar de visar a internacionalizao ou uniformizao de um modo de fazer Escola, insiste na preservao da diferena e da multiplicidade entre as Escolas. partindo desta multiplicidade que trazemos nossa contribuio. A Escola Lacaniana de Psicanlise R.J. adotou como sub-tema: fim de anlise e formao do psicanalista. Durante a elaborao dos trabalhos preliminares, criamos um espao de discusso. A escolha do leitor-autor deu-se num s-depois da transferncia de trabalho, onde, no lugar de nomes, privilegiamos o funcionamento. A prpria funo do que denomino leitor-autor no nos estava dada de sada. Funo que, neste contexto, articulo na primeira pessoa do singular enquanto autor, na primeira pessoa do plural enquanto leitor, posto que a remeto-me a meus pares. do texto convocatrio para este congresso que tomo o ponto de onde partirei: o que a experincia psicanaltica e quais suas incidncias na vida dos que a procuram? Acrescento, quais as incidncias sobre aqueles que pretendem tornar-se analistas? E sobre as instituies, mais especificamente, sobre as Escolas? O desejo do analista, disto de que se trata na direo de uma anlise, pois com isto que a um analista comparece; acredito que sobre isto concordamos enquanto orientados pelo ensino de Lacan. Entretanto, postular o desejo do analista, como incidncia da prpria experincia psicanaltica, significa dizer que, num a posteriori, isto se verificar ou no. Se adotamos a mxima freudiana, cada psicanlise deve ser tomada sem se levar em considerao as experincias anteriores, temos de abrir mo de quaisquer tentativas de produzir analistas em srie. Se digo a formao do psicanalista na medida de que se trata da formao de um psicanalista, um a um. Diferentemente das instituies e de certos grupos analticos que sabem antecipadamente o que e o que deve fazer um analista, Uma Escola no tem nenhum programa a seguir para assegurar previamente que, da formao que ministra, um analista advir. 4 Da carta aos psicanalistas italianos (1973), destaco o seguinte: [...]a anlise ali necessria, embora no seja suficiente. Assim, os problemas relativos ao fim de anlise e formao do psicanalista evocam a questo do passe da experincia do passe. O que necessrio para sermos lacanianos? Digo no somente psicanalistas, mas psicanalistas lacanianos, pois assim tambm somos distinguidos no social. Mas antes devo me perguntar, h o psicanalista lacaniano? 5 Estas so questes que j se nos apresentavam de sada. No havendo garantias antecipadas, um analista vem dar testemunho dos efeitos desta anlise at o ponto em que, no mbito de uma Escola, venha sustentar o desejo do analista desta passagem de analisante a analista. Isto nos implica, enquanto lacanianos, em pelo menos duas condies: o engajamento em uma Escola e o submetimento ao dispositivo do passe. O que vamos encontrar nos relatos desta experincia, experincia esta j vivida em nossa Escola? Antes, porm, de entrar propriamente na discusso sobre o passe, tratarei de alguns pontos relativos a direo do tratamento. Abordarei, primeiramente, aquilo que l nos primrdios da psicanlise levou Breuer a recuar e onde Freud avanou, no sem tropeos, no amor de transferncia. O amor que Lacan, recorrendo a Plato, remeter falta e ignorncia. O que est em jogo no amor dirigido ao analista?: O analisando, empobrecido em sua questo sintomtica, ir se dirigir a um analista para amar o que pensa se esconder, como saber no Outro. Sendo assim, o que o sujeito de fato ama o saber sobre o seu desejo, que no entanto o que ele ignora. A transferncia o que vai balizar todo o percurso da anlise e o endereamento do amor transferencial tem a ver, fundamentalmente, com isso: amar no Outro, o saber, a busca da verdade. A histrica, aquela que inaugura a psicanlise, assim o faz: supe que o Outro guarda a chave de seu desejo. No entanto, se o sujeito se enderea a algum, se procura algo, porque lhe falta; tambm porque lhe falta que ele ama. 6 Se por um lado, a transferncia, enquanto suposio de saber, produz uma alienao amorosa figura do analista, ela tambm aquilo que permitir o analisando passar do amor ao desejo: o analista aquele que acolhendo, mas no respondendo demanda de amor do seu analisando e a est a causa de sua abstinncia visar que comparea o seu desejo. dirigindo o amor ao analista que o sujeito encontrar uma no resposta, um desejo opaco por parte daquele que tem o propsito de levar o sujeito a aceder a uma posio desejante, a sair do lugar do amor, lugar este que espera o objeto adequado, a busca da outra metade da esfera na tentativa de fazer um s de dois e de curar a natureza humana, como diria Aristfanes, para defrontar-se com sua prpria causa. Se acontece do sujeito encontrar um analista, ser isto que ele ir aprender: no h Outro garantidor e a verdade sobre seu desejo, o prprio sujeito que a possui. A anlise um percurso que leva o sujeito da ignorncia do amor ao saber sobre o desejo, saber no todo, posto que considera a falta. 7 Entretanto, houve uma tendncia entre os analistas ps-freudianos de incrementar a transferncia amorosa, no lugar de se permitir sua liquidao, pois, ao interpretarem a transferncia, remetiam tudo que era dito em anlise figura e at pessoa do analista. Sabemos das conseqncias disto: estas anlises reproduziam analistas identificados ao ideal de seus analistas. Identificaes narcsicas capazes, no mbito de uma instituio, de acarretar toda sorte de afetos e reaes imaginrias, modelo de relao especular e alienante ao Outro. O desejo do analista, centrado em torno do luto do objeto ideal, promove o objeto a, falta de objeto e causa de desejo. Ser que isto que vamos verificar nos relatos da experincia do passe? A passagem de analisante a analista no se d de uma s vez: O sujeito em anlise se oferece e se responsabiliza pela sua destituio subjetiva. o que ir levar o sujeito em anlise a se separar de tudo aquilo que se fixou de um necessrio, na relao com um objeto, para aceder e transitar na constncia de um desvanecimento do campo de toda e qualquer demanda. a abertura possvel na construo de um luto como condio nica de atravessamento do plano das identificaes. 8 Esses momentos de passagem so tempos de virada fundamentais numa anlise, promovendo uma descontinuidade, uma ruptura. Momentos em que o sujeito, por efeito e na solido do ato analtico, promove uma destituio subjetiva em sua relao fantasmtica com o Outro e perda de gozo. So momentos especiais na clnica daquele que, ainda no tendo concludo sua anlise, ocupa-se da direo de outras. Na direo do tratamento, estar menos complacente com o sintoma neurtico e mais prximo do desejo do analista. absolutamente crucial que um analista suporte os efeitos de seu ato. Sobre o ato analtico, recorro Lacan em seu seminrio dedicado a esta questo; ele a introduz da seguinte maneira: [...] Ser o ato analtico a sesso, por exemplo? Posso perguntar em que consiste? Em que tipo de interveno? [...] Ser a interpretao? Ou ser que o silncio? [...] no estamos ainda em condies de especificar este ato de forma tal que possamos, de alguma maneira, estabelecer seu limite com aquilo que se chama pelo termo geral e, com efeito, inusitado nessa teoria psicanaltica a ao. Mais adiante, Lacan nos dir que o ato analtico nada tem a ver com o comportamento ou com a motricidade, no podemos tom-lo no tempo presente de uma ao motora, assim, como tambm no uma reao. Talvez, no possamos defini-lo em termos do que ele , mas sim se ele ocorreu, se houve ou no ato analtico. O ato analtico, sempre diz alguma coisa, nos coloca Lacan; , contudo, pelos seus efeitos que sua incidncia se faz notar. Entretanto, de um dos trabalhos preliminares, retiro uma abordagem do ato analtico bastante interessante, a noo de acontecimento em tempo real: se nomeio o ato analtico de acontecimento em tempo real, porque parece se tratar a de uma experincia que tem algo de sbito, algo para o qual no h como se antecipar nem cedo nem tarde demais. Porm, uma vez que o ato provoca uma abertura do sujeito e uma aproximao da causa de sua diviso, o analista (aquele que se presta a suportar a funo analtica) poder se ver numa posio menos despreparada, no ficando a merc das surpresas inconscientes, no se colocando mais numa situao de estrutura espera do acontecimento. 9 O ato analtico pe em cena o desejo do analista, o desejo do analista posto em ato, em que medida isto se articula a noo de tempo real? O tempo real consiste em ser o testemunho brusco e sbito de um acontecimento que no foi anunciado e precedido por nenhum discurso. 10 Nestes tempos de morte anunciada teramos de rever este conceito. Tomemos desta maneira: um acontecimento no precedido por nenhum discurso. Ora, mas do que vem reclamar o sujeito em anlise, do que se queixa o neurtico, seno da insistncia de um discurso, da repetio significante? O desejo do analista no aquilo que justamente resta, no final da anlise, da destituio subjetiva e do luto do objeto? H, ento, um percurso no to sbito para que o desejo do analista advenha. Todavia, devemos reconhecer que h um real em jogo, algo que se impe enquanto causa. Se o significante escreve, o real aquilo que no cessa de no se inscrever. Da a repetio: Se a repetio no simplesmente estereotipia de conduta, mas repetio em relao a algo de sempre faltoso, vemos que na sua relao com a transferncia, se d exatamente pelo que na transferncia no foi analisado, ou seja, a atualizao do inconsciente. 11 H menos real nas cenas espetaculares transmitidas pelos telejornais, onde l esto as cmeras espera do acontecimento, do que no encontro faltoso do sujeito que se evidencia em anlise. Neste sentido, a arte nos revela mais do que a tecnologia: o artista precede o psicanalista. Se h uma anterioridade do artista em relao ao analista, isto s se pde estabelecer num a posteriori da prpria experincia analtica. Da arte e de sua funo podemos deduzir sua relao ao inconsciente postulado por Freud. A arte no se contenta com o adornar, toda arte se caracteriza por um certo modo de organizao em torno do vazio 12, sustenta Franois Regnault: Se a arte organiza a obra em torno do furo, procedendo por meio do recalque, podemos conceber que a psicanlise aplicada, segundo Freud, tenta realar um retorno do recalcado na obra ou no artista: foi isso o que ele tentou em relao a Leonardo da Vinci, de quem foi preciso estudar seus mecanismos de sublimao... 13 A arte o exerccio da sexualidade desviado de seus fins, por meio da sublimao que o artista, frente ao vazio e ao impossvel da relao sexual, pode sustentar seu desejo: A arte tem como alvo esse real irrepresentvel de um objeto que escapa toda vez que uma obra tem xito. Assim que no lugar do vazio, da hincia deixada por esta falta na obra vem aparecer o objeto imaginrio da fantasia. 14 O que o sintoma do artista? Ele padece de criar, de uma escrita significante que circunscreve um vazio constitutivo onde vem alojar-se o objeto letra, objeto a que um furo em torno do qual se organiza toda representao. 15 A falta no preenchida, mas valorizada e destacada enquanto agalma, como causa de um estilo. Reinventando a tcnica, o estilo do artista comparece, sobretudo, no trao com que verdadeiramente assina sua obra e desenha seu nome. O artista com sua obra produz um lugar onde inscreve seu nome, prescindindo da imagem especular: Ao final de uma anlise espera-se, tambm, a produo de um significante novo, de um nome de analista que se desloca da imagem espetacular, que seja o eco de seu dizer, seu estilo. 16 Um analista oferece um vazio e um silncio para que, em anlise, o sujeito possa comparecer, possa, quem sabe, reinventar-se. H um ato de criao em jogo numa anlise. Assim como na arte, o ato de criao institui a fico como verdade um em torno de um vazio. Contudo, uma anlise no uma obra de arte. Se uma obra nos leva a um encontro com o real, atravs de um vu, de um objeto criado pelo artista que, apesar de furar um plano ou um campo do olhar, produz uma imagem cativante. Numa anlise, trata-se justamente de fazer cair o vu para que a falta de objeto opere como causa, objeto a. Que despido de sua imagem especular e de suas identificaes, o sujeito possa sustentar-se pela causa de seu desejo, pela falta e o vazio que lhe constitui. Encaminhando-me para questo do dispositivo do passe, gostaria de deixar algumas consideraes sobre superviso, pois trata-se, tambm a, dos efeitos de uma anlise de um analista em formao. Todavia, as supervises, nas instituies psicanalticas, podem assumir aspectos no analticos: correo, proteo, instruo, profilaxia, direcionamento e tantos outros. Ora, uma superviso, se vou tom-la em sua dimenso analtica, deve permitir a um analista em formao assumir seus riscos, os riscos de seu ato analtico, isto , autorizar-se no lugar do desejo do analista. Aquele que, ocupado com um caso, vem demandar uma superviso, l comparece atravessado pela angstia, at afetado digo, tomado por afetos, na medida em que lhe retornam os efeitos de suas intervenes. Momentos que se aproximam e reportam o analista em formao a sua prpria anlise pessoal; ponto em que espera autorizar-se por seu supervisor portador de seu nome de analista. O supervisor escuta fazendo retornar quele que demanda a superviso sua prpria mensagem de forma invertida; remetendo-o aos pontos de impasse em sua prpria anlise. Se a superviso no uma inovao lacaniana, Lacan resgata o seu vigor, no sentido das ultrapassagens que um analista deve fazer. Aproveito a oportunidade para deixar uma pergunta: como nas questes do cartel e do passe, o que estamos produzindo sobre este tema, superviso, nas Escolas? Finalmente, a questo do passe. O passe a teorizao possvel, num s-depois, que o sujeito autoriza-se a fazer sobre sua travessia em anlise; assim o faz pelo testemunho perante uma Escola, acatando e submetendo-se ao princpio: o psicanalista se autoriza por si mesmo e por alguns outros. Para alm de uma titulao, o passe se inscreveria como uma estrutura de pesquisa para saber o que est na base do desejo de tornar-se analista. 17 A experincia do passe insere e sustenta, numa Escola, a pergunta: o que um psicanalista? Entretanto, se a experincia do dispositivo do passe to cara e fundamental para que uma Escola se configure como um lugar de formao e, efetivamente, de analistas, o que temos podido reunir sobre isto, nestes anos? O que se espera que o grupo analtico esteja apto a responder a uma demanda de passe. 18 No que consiste esta aptido? Abordei os fenmenos de grupo que interferem nos laos analticos nas Escolas e na prpria comunidade analtica. Os sentimentos e afetos que brotam e proliferam nas instituies impedem o avanar no sentido analtico, no que h de transmissvel no intransmissvel de uma psicanlise e no que permite a incidncia do analista. O passe ao instalar, no mbito de uma Escola, o desejo de saber o que est na origem do tornar-se analista, evoca e nos convoca ao desejo do analista. Temos notcias de que as demandas de passe geram crises e alguns outros efeitos de grupo. Em contrapartida, h aqueles movimentos de promoo do passe que visam a afirmao da Escola, em detrimento de demanda autntica do dispositivo. Em que este estado de coisas denuncia a situao das Escolas e das anlises de seus analistas? O que necessrio para que um grupo analtico sustente de fato o pedido de passe e faa vigorar em aberto a questo. O que o psicanalista? Vivemos, em nossa Escola, a experincia do passe. Consta em nossos documentos a seguinte formulao do passante, ao colocar seu pedido de constituio de um jri: Minha insistncia, agora, mais do que antes, pela psicanlise. Que a experincia do dispositivo em um jri torne digno o que a dignidade de um pedido de passe. A est, o que o pedido de passe em sua condio de dignidade? O que verificar quanto a isto? Em que condies um jri poderia faze-lo? Sustentar o que digno de ser denominado analtico, levando adiante o dispositivo do passe, como j mencionei, custa caro a uma Escola: efeitos de grupo, crises, rompimentos e afastamentos. Houve uma crise, que se deflagrou a partir do prprio jri (cartel do jri), crise esta que comprometeu a condio de escuta, prpria experincia do depoimento. Neste contexto, levantou-se a possibilidade de dissoluo do dispositivo. Ressalto que esta crise ocorreu no dcimo ano de funcionamento e oitavo de fundao da E.L.P. - R.J., tempo em que Phillippe Julien atesta uma repetio de ecloso de crise nas Escolas. Tal fato coloca-nos a questo do que seria contingencial e o que apontaria para o estrutural nesta crise? Do carter de contingncia , tnhamos um dispositivo impedido de seguir seu curso e a responsabilidade de lev-lo a seu destino, comprometendo a funo de garantia. De estrutura, ser o fracasso relativo aos grupos? O tempo se esgota, mas deliberadamente que atenho-me neste ponto de nosso impasse. Alguns, aqui presentes, j tiveram a oportunidade de tomar conhecimento desta experincia cujo material documentado foi publicado recentemente em nossa revista NOMEAR. Meu objetivo hoje, deixar questes, dentre elas a seguinte: h, efetivamente, condies para o dispositivo do passe hoje, em nossas Escolas? Seja como for, retornemos Freud, para que possamos alm dele ir, pois... navegar preciso...: Para concluir quero expressar o desejo de que a sorte proporcione um caminho de elevao mais agradvel a todos aqueles que achavam a estada no submundo da psicanlise desagradvel demais para o seu gosto. E possamos ns, os que ficamos, desenvolver at o fim, sem atropelos, nosso trabalho nas profundezas. (Sigmund Freud) Referncias Bibliogrficas 1. SAFOUAN, Moustapha. Jacques Lacan e a questo da formao dos analistas. Porto Alegre, Artes Mdicas, 1985. 2. LEMRER, Brigitte. Mathesis Falha e comunidade analtica in Dizer n. 12 Boletim Semestral Escola Lacaniana de Psicanlise. 3. JULIEN, Philippe. Situao da Psicanlise na Frana in Dizer n. 13 Boletim Semestral Escola Lacaniana de Psicanlise. 4. LOPES, Andr Luis de Oliveira. Uma questo de Escola: passando... (trabalho preliminar) 5. MANGARAVITE, Slvia. O Real na Formao do Psicanalista; ou: como nos nomeamos Lacanianos (trabalho preliminar) 6. BEZZ, Ana Cludia Moraes Merelles. coisa que se ensine o amor? (trabalho preliminar) 7. Idem. 8. NAZAR, Jos. Questes elementares sobre o final de anlise e a experincia do passe. (cpia de artigo no publicada) 9. DYSKANT, Miriam Celli. Formao do analista: um acontecimento em tempo real? (trabalho preliminar) 10. Idem. 11. MELLONI, Teresa. Da repetio do fracasso ao fracasso da repetio (trabalho preliminar) 12. REGNAULT, Franois. Em Torno do Vazio a arte luz da psicanlise. Rio de Janeiro, Contra Capa, p. 22. 13. Idem. p. 21 14. PALAZZO NAZAR, Maria Teresa. Psicanlise, arte e interpretao (trabalho preliminar) 15. Idem. 16. Idem. 17. NAZAR, Jos. op. cit. 18. Idem. /0abcd  O#P#&&'Z*++.001111T3667799 <??@_C`CDSETE9FFFiHjH%IzK{KLL=_C_6`7`}a~aaaaaa 5mHsH CJmHsH 6mHsH6CJ]mHsH aJmHsHmHsH PJmHsH5>*mHsHM0bd P#&'Z*+.01T3566x$xa$x$a$f679 <?@`CDTE9FjH%ILQXmYYZH^7`}aaaab$ & Fa$$a$$a$x`xx$xa$aabbbbbbbbccc cwcxczccccccdNdOdQdWd\d]d_deddddddDeEeHeJeOePeSeUeeeeeff!f#f.f/f2f4ffffffffffffffffffffffmH sH mH sH  aJmHsHmHsHCJaJmHsHLbbcxccOd]ddEePeef/ffffffff$a$$ & Fa$,1h/ =!"#$%  i8@8 NormalCJ_HaJmH sH tH 2`2 Ttulo 1$@&PJaJ@`@ Ttulo 2$$@&a$5CJPJaJFA@F Fuente de prrafo predeter.DB`D Texto independiente$a$aJ`C`` Sangra de t. independiente$`a$CJaJLP`L Texto independiente 2$a$CJaJLQ`"L Texto independiente 3$a$CJaJb0bd P"#Z&'*,-T/12235 8;<`?@TA9BjD%EHMTmUUVHZ7\}]]]]^^_x__O`]``EaPaab/bbbbbbbb0000000000000000000000000000000000000000000000000~] 0~] 0~] 0~] 0~] 0~] 0~] 0~] 0~] 0~] 0 ~] 0 ~] 0 ~] 0 ~] 0 ~] 0~] 0~] 0~] 0~]00afei6bffhjfg/0ae! 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